
Título original:Death Proof
Realização:Quentin Tarantino
Elenco:Kurt Russell; Rosario Dawson; Vanessa Ferlito; Jordan Ladd; Rose McGowan; Sydney Tamiia Poitier; Tracie Thoms; Mary Elizabeth Winstead; Zoe Bell; Quentin Tarantino Argumento:Quentin Tarantino
Produção:Bob Weinstein; Harvey Weinstein
Sinopse:
Para Jungle Julia (Poitier), Shanna (Ladd) e Arlene (Ferlito), a noite oferece uma oportunidade de libertação. Mas a poucos metros, olhando-as de forma pouco inocente a partir do seu carro, está Stuntman Mike (Russell). E é no seu Dodge Charger, modificado para suportar até as mais extremas colisões, que este psicopata gosta de terminar com a vida de belas raparigas que viajam a seu lado...
Crítica (iol.pt):
" O melhor filme de Tarantino. Adoráveis e comoventes são todas as personagens femininas deste filme, num casting extraordinário, representadas por actrizes que não correspondem aos protótipos da beleza, mas que se sente serem de carne e osso. E este filme só pode ter essa medida: carne e osso.
Na primeira parte, Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), terrivelmente sexy e dominadora: just think, play your cards right, you ll be sucking his dick within hours. Arlene (Vanessa Ferlito), ingénua e desprendida: if you don't bust their balls a little bit, they never gonna respect ya . Shanna (Jordan Ladd), menos expressiva, mas cuja presença se sente sempre: y all are getting me hot. Na segunda parte, Kim (Tracie Thoms), de uma vivacidade extraordinária, 100% ligada a cada gesto: you crack my back, you give me foot massages, and after a shower, you put moisturizer on my butt. Lee (Mary Elizabeth Winstead), boneca de olhar cintilante: we made out in the hall for about tem minutes, then I sent him off to his room. Abernathy (Rosario Dawson), a das grandes deduções: if you fuck Cecil, you don't become one of his girlsfriends, not to say I want to be his girlfriend, if I fucked him, I wouldn't be his girlfriend, I'd be one of his regulars. Zoë (Zoë Bell, actual companheira de Tarantino), uma duplo fazendo de si mesma, o seu rosto adoravelmente dividido pelo nariz, a sua mímica, o seu representar, o seu carácter, suscitando uma particular ternura: I'll be your back cracking slave, just say, bitch, git over here and get busy.
Mas há também o animal que sobre elas vai cair a 200 à hora: Stuntman Mike (Kurt Russel), lobo solitário e fora de época, desviando e vingando a sua virilidade.
Death Proof é um filme maravilhoso. É um filme é sobre os duplos do cinema e sobre o espectador enquanto duplo do filme.
A partir de Kill Bill, e com este Death Proof, Tarantino começa a trabalhar, mais do que os filmes, o cinema. São filmes que têm como referência a história das imagens, a contaminação dos meios (banda desenhada, televisão, cinema) e a sua relação com a experiência e o tempo daqueles que recebem as imagens. E em primeiro lugar, evidentemente, com a experiência de Tarantino, que passou a sua infância e adolescência a ver filmes e séries de kung fu e western spaghetti, tendo tido também experiências de recepção ligadas à especialização de determinadas salas populares de cinema, nelas se incluindo as condições da película projectada (a sua cor, os riscos, os saltos, os cortes). Algo disso passa para este filme e a questão é: como tirar disso o melhor para o fazer aparecer de outra maneira para aqueles que não viram essas imagens no seu tempo, nem passaram pela experiência?
Death Proof constitui uma resposta a esta pergunta. Não estamos nos anos 70 no filme, mas é como se estivéssemos ligados às imagens desse tempo do cinema e à relação enérgica com a vida que elas tinham e que neste filme reaparece enquanto vida possível.
Trata-se de um cinema feito à medida do homem, cheio de humor, comovente por vezes, e cheio dos calafrios que o cinema pode proporcionar. É essa a grande força dos filmes de Tarantino, é essa a grande força de Death Proof, que trabalha com arquétipos do cinema como a vertigem da velocidade ligada às perseguições de carros e a conduta (e mente) de seres e personagens fora do mundo e porém pertencendo profundamente a este mundo, vivendo-o com humor e com ironia. Tal como um Stuntman pode ser e estar em relação aos filmes: um Stuntman está fora do filme, mas pertence profundamente ao filme e acaba por viver, por dentro, outra relação com o filme, feita de humor e de ironia.
Death Proof é um filme sobre stunts, sobre os duplos, e não são poucos os espectadores que confundem as segundas raparigas com as primeiras. Um cinema cuja energia vem do seu interior, captando aquilo que está de fora. "
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